terça-feira, 22 de junho de 2010
o passado dela
quando ela tinha 10 anos, ela se mudou pra essa cidade. ela estava com medo. estava sentindo que não ia durar. estava com expectativas. ela queria voltar. ela só queria conversar. no fundo, ela estava curiosa. ansiosa. pensando em como seria sua vida daqui pra frente. ela viu sua escola nova. ela viu sua casa nova. ela queria conhecer seus amigos novos. ela queria um cachorro. ela ainda estava se acostumando com a ideia. até que, finalmente, foi à escola. ela queria causar boa impressão, mas nem se arrumou. ela ainda era uma criança. sentia falta de sua família, e seus amigos antigos. quando ela chegou e viu aquelas poucas pessoas na sala, imaginou que poderia ser amiga deles. mas ela não foi muito bem recebida. ela fez birra, se disse mais descolada, chamou todos de caipiras. ela deu uma festa de aniversário. poucos foram. ela não entendia. eles haviam dito que estariam lá. depois de um tempo, ela descobriu muitas coisas. ela não gostou. ela não queria aqueles amigos. mas ela já havia feito amizades, que pensava ser verdadeiras. e eram. ela não queria se apaixonar. mas se apaixonou. no ano seguinte, tudo seria diferente. os amigos que ela não queria acabaram vendo quem ela realmente era. e as coisas fluíram. as coisas melhoraram. só uma coisa a fazia chorar. a ilusão do amor. ela viveu muitas coisas naquela escola. ela sofreu. ela se machucou. as pessoas a machucaram. e as feridas ainda demoram a cicatrizar. ela ainda não se conforma com isso. ela não consegue superar. como pôde ser tão enganada? como pôde se deixar levar? como pôde confiar em algumas pessoas? e finalmente, aos 13, ela estava decidida. ela abriu os olhos pra um novo caminho. não deu muito certo. ela continuou tentando. mas nunca dava certo. ela estava infeliz. as amigas dela sempre a apoiaram. isso foi bom. elas eram suas melhores amigas, aquelas, que logo no começo das aulas, ela nem gostava muito, mas havia conquistado a amizade sincera, verdadeira. até hoje elas conversam. menos que antes, e ela não gosta muito disso. ela escrevia frases. ela fazia textos. desde os 12. ela contava como se sentia. ela mostrava às suas amigas. ela sempre desabafava. mas continuava infeliz com seus sentimentos. ela saiu da escola no final do ano. todos choraram. ela não tem certeza se todos choraram por causa dela, mas ela tem certeza de alguns. ela acabou chorando também. ela estava triste e feliz ao mesmo tempo. ela não queria ficar longe das suas amigas - e acabou levando sua melhor amiga-irmã pra escola nova - mas ela sabia que seria melhor dali pra frente. ela precisava pensar. precisava esquecer. precisava de mais sinceridade. mais felicidade. e ela conseguiu. finalmente aos 14 ela não se sentia mais uma criança. e ela ficou feliz. mas ela se iludiu. ela precisava preencher o vazio de seu coração. se apaixonou novamente. complicações surgiram. seu melhor amigo gostava dela. mas ela não gostava dele, e não achou justo fazer com ele o que haviam feito com ela, pois quando a iludiram, ela chorou muito. ela chorava todas as noites. ela perdia seus finais de semana. ela pensava nele durante as viagens. ela achava que conhecia o amor. mas quando seu amigo se declarou, ela percebeu que ele sentia a mesma coisa que ela sentiu, só não sabia explicar. paixão. sim, aquilo era paixão. muitas paixões duram dias, semanas, meses até. a dela durou pouco mais que isso. mas era só paixão, e tudo o que ela queria era explicar isso a ele. acabou que ele não entendeu, e arrumou outra melhor amiga. isso foi bom pra ele. mas não pra ela. ela o amava como amigo. e ele não entendia. até que no final do ano, ela confundiu tudo. ela se iludiu mais uma vez. ela achava que amava seu melhor amigo. ela o beijou. e depois de algumas decepções - com ela mesma até - beijos e lágrimas, no final, essa confusão foi boa pra ela. num encontro de amigos, ela conheceu a melhor pessoa, no pior estado que ela podia encontrar. ele lembrou do rosto dela, ele a procurou, e depois disso, ela se tornou a pessoa mais feliz que já existiu. depois disso, tudo o que ela pensava ser amor, se tornou vago, pequeno. tudo o que ela achava conhecer, era insignificante. ela descobriu que o significado de amor não existe. que nenhuma palavra, nem todas as palavras do mundo podem expressar o que ela sente quando está com ele. nada pode substituir o olhar dele. nenhuma voz pode deixar ela tão aliviada quanto a dele. nada pode se comparar ao que ela sente quanto ele a abraça. ela não consegue explicar o quanto ela precisa estar com ele. nem que seja só por um momento. nenhum químico pode explicar as coisas que acontecem com o estômago dela quando ele vem em sua direção. nenhum médico pode explicar a dor que ela sente no coração quando eles discutem. ela finalmente encontrou o que ela queria. ela ama. hoje, ela está em outro colégio, tem amigos novos, divertidos. e ela pode dizer, apesar de tudo, que é feliz.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Jardim Encantado ? - não.
faz tempo que eu não desabafo. faz tempo que eu não falo sobre os meus sentimentos. é, eu andava nas nuvens ultimamente. ok, nem tanto assim, eu já tive meus momentos. mas faltou coragem pra escrever, pra dizer o que eu sentia, pra dizer o que estava me machucando. o que está me machucando agora é o medo. aconteceram coisas, entre mim e meu namorado que ficaram só entre nós. tanto as coisas boas, quanto .. as coisas ruins. parece que quando a gente tá num momento bom, tudo parece tão bonito, tão único. e é. os momentos bons da minha vida, eu vou guardar com carinho. os momentos que eu passei com as minhas amigas, os momentos que eu passei com o pessoal das escolas, as viagens, passeios, família, as coisas lindas que eu vivi e vivo com o Lucas. infelizmente, eu não moro num Jardim Encantado cheio de flores e bichinhos fofinhos. eu moro no mundo real. com pessoas reais, cruéis, invejosas, traidoras, fofoqueiras, infelizes (...), falsas. se eu ficasse mais um tempo aqui, a lista ia aumentar bastante. mas eu ainda acredito em algumas pessoas. pessoas boas, tentando ser felizes. voltando. infelizmente, eu estou no planeta Terra. eu sofro, eu choro, eu lembro do passado, lembro dos amigos, imagino o futuro, e às vezes me perco no presente. eu já tive muitos momentos ruins na minha vida. tenho que confessar, que um dos piores, eu passei com o Lucas, mas esse eu deixo pra outro dia. agora, eu estou vivendo um momento de incertezas. de medo. de felicidade também, se não, eu estaria perdida, pois ninguém pode ficar 100% triste. hoje eu tive um sonho horrível. aliás, foi mais um pesadelo. nele, eu perdia o Lucas pra uma menina, eles estavam apaixonados, e eu estava bem perto deles. é, eu acordei em choque. o medo de perder alguém, o medo de esse alguém ser o Lucas, me fez ficar sentimental. até mais do que o normal, e isso não foi nada bom. nessas horas, eu sinto muitas saudades das minhas amigas. minhas amigas do fundamental, aquelas que eu conheci há uns anos atrás, nem tantos assim, mas eu cresci bastante com elas. eu não gosto de pensar que estamos separadas. não gosto de pensar sobre o meu pesadelo. mas eu prefiro deixar as coisas se acalmarem. eu só quero .. ser feliz. ficar bem. eu preciso disso. preciso sentir o amor, a amizade, a felicidade, a energia positiva no ar. estou cansada de pensar que eu não fui feita pra ser feliz. apesar da presença dele me fazer esquecer minhas cicatrizes, machucados que ainda não passaram e me fazer sentir amor, apesar da presença das minhas amigas, quando as vejo, me fazerem sentir melhor, e até mesmo o pessoal da escola me animar, a dor sempre vem.
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